Tutorial sobre fotografia HDR

Introdução

Se há um tratamento fotográfico capaz de produzir resultados absolutamente surpreendentes é o das fotos HDR.

HDR (High Dynamic Range) - Em termos simples, trata-se de tentar obter nas fotografias o máximo possível de gradientes tanto de cor como de luminosidade

Aquelas fotografias de paisagens completamente baças - com os verdes secos e os céus num tom de azul deslavado - que tinham como destino o caixote do lixo, podem afinal ser aproveitadas. Basta que em vez de uma só... tenha no mínimo três.

Um exemplo...

Com estas 3 fotografias originais...

1. As 3 fotos originais (0EV, -2EV, +2EV)

...consegue-se, por exemplo, um resultado como este:

2. Resultado "em HDR"

Descrição

Tudo o que vai ser necessário:

  • 3 fotos diferentes do mesmo assunto
  • um programa apropriado no seu PC

1. As 3 fotos originais

A base de partida é tirar 3 (ou mais) fotos ao mesmo assunto, eventualmente usando um tripé, e tendo em atenção alguns pormenores simples:

  • manter sensivelmente o mesmo enquadramento
  • não incluir objectos ou pessoas em movimento
  • usar uma exposição diferente em cada uma das fotos; por exemplo: 0EV, -1EV, +1EV

Embora o tripé possa ser uma ajuda não é imprescindível. Tudo o que há a fazer é tirar as 3 fotos de seguida tentando não mover a máquina. O programa que irá usar no computador tratará no alinhamento das 3 imagens e, alguns programas, fazem-no bem. As máquinas DSLR dispõem geralmente de uma funcionalidade já antiga - cujo objectivo era apenas o de tirar fotos com exposições diferentes para posteriormente se escolhar a melhor. A Canon chama-lhe AEB (Auto Exposure Bracketing); nas Nikon costuma haver um botão BKT (de "BracKeTing").

Mais importante é ter o cuidado de não incluir objectos em movimento que iriam, inevitavelmente, produzir "fantasmas" na fotografia final. Embora os programas tenham uma opção para os eliminar essa função não funciona tão bem como a do alinhamento e não conseguem fazer "milagres".

Para a variação das exposições (EV) aconselha-se começar por usar um leque entre -2EV e +2EV (para além da foto normal, a 0EV). É uma questão de experimentar.

Quanto ao formato a usar (JPEG ou RAW)... pode começar pelo primeiro; que mais não seja para verificar como mesmo no formato mais "pobre" o resultado pode ser surpreendentemente bom. Mais à frente voltaremos a este assunto. Para optimizar (ainda mais) o resultado.

2. O programa no PC

Existem já várias escolhas disponíveis no mercado mas como o objectivo deste artigo não é avaliar os softwares, vou limitar-me a referir aqui dois desses programas:

Picturenaut
Freeware. Por outras palavras... a escolha indicada para começar
Photomatix
Existe actualmente em duas versões: o Photomatix Essentials/Light (USD 39) e o Photomatix Pro (USD 99)
Como é evidente, as possibilidades de sintonizar o tratamento das imagens são bem mais variadas na versão Pro do que na Essentials. Sendo que o Picturenaut é nitidamente a mais básica das 3 opções; no entanto - uma vez que é "à borla" - é a escolha indicada para se iniciar no HDR.

3. O processo

É muito simples. Trata-se apenas de indicar ao programa quais são as fotos a usar, e escolher as opções pretendidas - que são bastante mais limitadas no Picturenaut do que no Photomatix mas que, por isso mesmo, é mais fácil de utilizar e proporcionar resultados mais rapidamente.

No Picturenaut

Nota Importante: o Picturenaut não tem, nem pouco mais ou menos, a mesma eficiência no alinhamento das fotografias que o Photomatix. Nesse caso talvez seja boa ideia usar um tripé!

Usar a opção File > Generate HDRI...

3. Ecrã principal do Picturenaut

Adicione as fotografias (usando o botão Add...) e experimente com as opções indicadas na imagem acima. Ao fim de alguns segundos será apresentado o resultado. Experimente deslocar o cursor para regular a compensação da exposição (EV) até obter o resultado desejado.

4. Resultado previsto no Picturenaut

Guarde a imagem (File > Save As...)
Curiosamente, o Picturenaut não permite guardar a imagem em formato JPEG; escolha p.e. o formato TIF.

No Photomatix Pro

É outra conversa...

1. Indicar quais são as fotografias de base (eventualmente arrastando-as para a área apropriada)...

5. Ecrã principal do Photomatix Pro

2. Indicar as opções pretendidas para o alinhamento, remoção de "fantasmas", redução de ruído e das aberrações cromáticas...

6. Opções sugeridas

3. O programa apresentará uma previsão do resultado criado através do último método utilizado que, como se pode ver neste exemplo, foi o Tone Compressor e um Preset de utilizador (eu) chamado "TC_Deep2" que mais não é que um ficheiro (XML) onde estão guardadas as escolhas que se podem ver na barra vertical à esquerda do ecrã.

7. Resultado previsto (Tone Compressor)

Mas bastante mais completo que o anterior é o método chamado Details Enhancer, principalmente usando o processo Tone Mapping. E aqui abre-se uma grande variedade de combinações possíveis para as diversas opções da construção do HDR.
No ecrã abaixo podem ver-se parte das opções:

8. Resultado previsto (Details Enhancer com Tone Mapping)

E neste podem ver-se as opções contidas em More Options e Advanced Options:

9. Resultado previsto (Details Enhancer com Tone Mapping)

Mais uma vez o Preset (agora o "DE_MS30-6") é apenas o meu conjunto de escolhas preferidas em cada parâmetro.

Para criar a imagem HDR clique no botão Process e depois guarde-a no formato que quiser.

Como o objectivo deste pequeno artigo não é explicar em detalhe o funcionamento do Photomatix mas sim mostrar, da forma mais simples possível, como se podem conseguir resultados surpreendentes mesmo com os presets standard do programa...
...cabe-lhe agora experimentar você mesmo. Recomendaria que começasse pelo método Tone Compressor (que não é verdadeiramente HDR) e depois passasse ao Details Enhancer.

Divirta-se !!! Já está em condições de o fazer.

... a menos que queira escarafunchar mais um bocadinho lendo o resto deste artigo...

JPEG versus RAW

Embora os resultados obtidos a partir de fotografias originais no formato JPEG sejam suficientemente espantosos, não há qualquer dúvida de que o formato RAW (os ficheiros têm actualmente a extensão .CR2 no caso da Canon, e .NEF no caso da Nikon) tem uma amplitude dinâmica (HDR) substancialmente maior. Como tal, é este o formato com mais potencial para se conseguirem resultados mais elaborados.

Um exemplo, de duas HDRs criadas a partir de originais, respectivamente, em RAW (.CR2) e em JPG:

10. Comparação de HDRs (RAW vs JPG)

O método usado (no Photomatix Pro) para a criação das duas HDRs acima foi, em ambos os casos, exactamente o mesmo: Tone Compressor com TC_Deep2.
Embora a escolha possa ser subjectiva, as diferenças reais são patentes.

Mas... há uma situação em que poderá ter que se contentar com um resultado apenas "tipo-HDR" mas, mesmo assim, bastante melhor que o normal:
quando existirem objectos em movimento no assunto a fotografar.

Nesse caso, os inevitáveis "fantasmas" - que os programas não conseguem remover eficazmente - inibirão a possibilidade de usar várias fotografias para construir uma imagem HDR.

Para essas situações existe uma alternativa capaz de produzir resultados aproximados...

"Picture Styles"

Este é o nome dado pela Canon. A Nikon chama-lhes, actualmente, picture controls. Outros fabricantes disponibilizam funcionalidades semelhantes com nomes diferentes.

As máquinas da Canon incluem logo à partida vários destes estilos:

Standard, Portrait, Landscape, Neutral, Faithful e Monochrome.

Mas podemos criar outros, de utilizador, parametrizá-los a gosto, e carregá-los (até 3) na máquina. Para tal será necessário usarmos o Picture Style Editor (incluído no EOS Utilities). No caso da Canon os ficheiros têm a extensão PF2; no caso da Nikom têm .NOP ou .NCP conforme sejam, respectivamente, os standard ou os de utilizador.

Note-se que os picture styles além de permitirem modificar as características básicas (contraste, saturação, etc) da fotografia como um todo permitem fazê-lo para cada cor em separado.

Por exemplo, tomando como base o estilo Landscape - que como o próprio nome indica, é apropriado para fotografar paisagens dado que produz um resultado com os verdes e azuis mais saturados - podemos p.e. intensificar ainda mais essa saturação de forma a que o resultado fique mais ao nosso gosto. O resultado pode ser visto na terceira das imagens abaixo (SuperLandscape).

11. Comparação de 3 Picture Styles

Como é evidente (?) os picture styles só têm relevância quando se fotografa em JPEG. Eles não são mais que uma espécie de "receita" aplicada logo à partida - na máquina - para a criação da imagem nesse formato. O que eles fazem é o mesmo que se poderia fazer mais tarde - num computador - se estivesse a fotografar em RAW.

Conclusão

Resumindo...

  • 3 fotos JPEG permitem obter, rapidamente, um resultado espantoso em HDR
  • 3 fotos RAW permitem obter, lentamente, um resultado ainda melhor
  • os picture styles permitem uma sintonia fina das imagens JPEG